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Jovens contam o melhor da vida noturna de Santiago

Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre o Chile é que ele é um dos países da América do Sul que não faz fronteira com o Brasil – o outro é o Equador. A outra é a língua, que por incrível que pareça, é pronunciada tão rápida quanto a nossa. Mas o encantamento com o país começa dentro do avião, quando avistamos a cerca de 11 mil metros de altitude, a Cordilheira dos Andes.

Vista da Cordilheira dos Andes pelo avião. Créditos: Renan Brenga


A capital Santiago é sinônimo de “oportunidades de negócio”, sendo uma referência em cultura e educação no país. É uma cidade limpa, plana e com muitos parques – são 230 hectares de área verde. A 40 km da Cordilheira dos Andes, seus 6 milhões de habitantes têm uma visão privilegiada desse monumento natural.

A noite santiaguina acontece, principalmente, no bairro Bellavista, região central da cidade. Famoso por ser um bairro de vida boêmia, os jovens costumam se reunir por lá para se divertir.

A mistura de entretenimento, arte e gastronomia faz esse bairro ser um dos mais procurados por proporcionar vários tipos de lazer, como ruas cheias de barzinhos, karaokês, discotecas e intervenções musicais ao ar livre. “O que eu mais gosto da noite chilena é a diversidade que ela me oferece, é muito tranquilo caminhar pela cidade e você sempre encontra algum lugar para comer”, afirma o colombiano Jaime Acosta, 21, que está morando em Santiago há sete meses. 

Prévia de como é a noite em Bella Vista. Vídeo feito por Átila Vendite

Bellavista costuma ser a casa do Pub Crawl de Santiago. Presente no mundo inteiro é um tour barra maratona pela vida noturna da capital. É uma forma barata de se divertir com seus amigos e conhecer pessoas novas. Com o valor de $10 mil pesos – em torno de R$40,00 –, o tour passa por 4/5 bares ou baladas do bairro, ficando 1h em cada estabelecimento, fora que o ponto de encontro é sempre um local que possibilita 1h de cerveja e petiscos “de graça”, todo pit stop há free shots de boas vindas, as bebidas possuem descontos e acesso vip nas baladas. “Foi com o Pub Crawl que pude conhecer melhor o bairro, em apenas uma noite frequentei diversas baladas que eram diferentes uma das outras, o que seria impossível conhecer com tempo que fiquei na cidade”, afirma a atriz de 20 anos Tatiana Benites.

A bebida mais famosa do Chile é o psico, que é produzido através da destilação do vinho. E os dois drinks que os chilenos mais apreciam são o piscola – nada mais é que psico com refrigerante de cola – e pisco sour, que é psico com suco cítrico. Há uma briga entre Peru e Chile para saber quem é o “pai” do psico, assim como acontece com o ceviche (peixe cru marinado em suco de limão ou lima ou outro cítrico). Mas, dizem as más línguas que são todos de origem peruana.

Terremoto

Os chilenos sabem muito bem o significado dessa palavra, tanto para o abalo sísmico como para beber. O terremoto é uma das bebidas mais prestigiadas pelos turistas; com um sabor forte e instigante, a bebida leva vinho branco, sorvete de abacaxi e amargo (bebida alcoólica a base de ervas). Por ter um nível alcoólico muito alto, para algumas pessoas beber um desses pode causar muitos estragos.

E o lugar para se apreciar essa bebida típica é ‘La Piojera’, um bar e restaurante rústico com uma pegada “caminhoneira”, mas apesar de assustar um pouco, lá é o point dos turistas e o 'Terremoto' custa apenas $2.500 pesos, em torno de R$10. “A originalidade é o que me conquistou, algo que pude apreciar da cultura local, bem característico”, conclui Tatiana.

Preparação do 'Terremoto' na La Piojera

Localizado na Rua Aillaviléi, 1030, ao lado da estação de metrô Puente Cal y Canto e perto do mercado central, o bar lota de todos os tipos de pessoas que se possa imaginar. Mas, tome cuidado! Com o anoitecer, não se recomenda andar sozinho por aquelas redondezas.

Rolê Gourmet

Se a pegada é mais light e o momento é sentar num barzinho e conversar com os amigos, é a vez do The Clinic bar. Conhecido por satirizar os políticos chilenos, o ex-ditador Augusto Pinochet – foi a partir da internação dele na London Clinic que surgiu o nome do bar – e os partidos políticos, o bar tem uma pegada republicana e é decorado com frases, fotos e manchetes debochando da situação política do país.

O cardápio do bar retrata também essa gozação, é uma mini-revista em forma de menuE o bar surgiu a partir da criação de um jornal de mesma ideia, que agora é revista e se encontra nas bancas chilenas e na versão on-line também. 

O The Clinic Bar fica na Rua Monjitas, 578, perto do bairro Bellavista.


Fim de tarde

Pôr-do-sol visto do Cerro San Cristobál. Créditos: Isabela Pelarini

O cerro San Cristóbal proporciona a melhor vista da cidade, localizado no maior parque do país e um dos maiores do mundo, o Parque Metropolitano de Santiago (ParqueMet) – Rua Pio Nono, 450, Bellavista – engloba várias atrações turísticas, entre elas o zoológico nacional. Mas o que nos interessa é o pôr-do-sol, que deixa qualquer visitante admirado com a natureza.  No verão, esse fenômeno acaba ocorrendo só depois das 21h.
Vista da Virgen de la Inmaculada Concepción. Créditos: Isabela Pelarini

O morro tem 880 metros e nos direciona a dois lugares, o zoológico da capital e para a Terraza Bellavista, com a estátua da Virgen de la Inmaculada Concepción – que é onde temos umas das melhores visões da cidade.

Mas calma, não precisamos subir tudo isso a pé. Os chilenos têm o costume de subir o cerro de bicicleta como prática esportiva, mas para os menos adeptos, temos o funicular (carro que sobe morros puxado por cabos de aço), que faz o percurso em menos de 10 minutos. Só que há um problema, quem quiser ver o pôr-do-sol lá de cima, terá que descer o cerro a pé – devido o funicular funcionar até às 18h30 – e nada mais é do que sete quilômetros de caminhada. “Teve um dia que subi e desci o cerro a pé, estava precisando de um momento para mim. Fiquei para o pôr-do-sol e aproveitei para refletir sobre a vida e curtir o momento”, afirma José Miguel Hidalgo, 19, intercambista há oito meses no Chile.

E COMO EU FAÇO PRA PEGAR O FUNICULAR ?
Segunda-feira: 13h às 19h.
Terça-feira a domingo: 10h às 19h.
*última subida é às 18h30 e a última descida é às 18h45

PREÇOS
Ida e volta nos dias de semana
$2.000 pesos (adultos) – R$8
$1500 pesos (crianças de 3 a 13 anos) – R$6

Ida e volta nos fins de semana e feriados
$2.600 pesos (adultos) – R$10
$1.950 (crianças de 3 a 13 anos) – R$8

*no verão, o parque está aberto até às 20h, no inverno até às 19h.


Até a próxima quebra do porquinho!


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