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Centro histórico de Minas Gerais: rico em história e arte

Conhecida por ser a terra da fala mansa, do pão de queijo e doce de leite, Minas Gerais já foi palco de um dos marcos principais do Brasil: a Inconfidência Mineira. Já foi considerada a terra das promessas e hoje é uma das bases da economia brasileira, perdendo o posto apenas para Rio de Janeiro e São Paulo.

Mas, iremos focar no centro histórico que Minas ilustrou ao longo do século XVIII e que ainda pode ser conferido nas cidades que fizeram parte da história e da arte daquela época. "O auge da extração do ouro foi na década de 1740. Mas os anos 1700 marcaram a ascensão do barroco mineiro com uma estética singular, bem diferente do que foi esse estilo na Europa. O fato de o Brasil ter sido colônia de um Império ibérico marcou a arte centrada na religiosidade católica romana.", afirma o historiador e professor Roger Santos.

Começamos a 19 km da capital Belo Horizonte, a cidade de Sabará foi o primeiro povoamento de Minas Gerais e é conhecida pelas igrejas do século XVIII e pelos festivais gastronômicos, como o Festival Ora-pro-nóbis (maio) e o Festival da Jabuticaba (novembro), seu artesanato também se destaca com a Palma Barroca e a Renda Turca de Bicos.

Capela Nossa Senhor do Ó, Sabará
Um dos marcos do barroco mineiro é a Capela de Nossa Senhora do Ó, que representa a primeira fase desse estilo de arte. Ela foi construída em louvor a Nossa Senhora da Expectação do Parto, e seu nome originou devido ao culto celebrado ao som de antífonas (versículo que se anuncia antes de um salmo) precedidas da expressão “ó”, gerando a popularidade da Virgem e da própria igreja.

Nossa Senhora do Ó fica no Largo de mesmo nome, 1717. Abertos de terça a sexta das 8h às 17h, de sábado a segunda das 8h às 12h e 14h às 17h. A entrada custa R$ 2.

Outro ponto importante de Sabará e do Brasil é a Casa da Ópera. Segundo teatro mais antigo do país e construído na época do Ciclo do Ouro, o local é apelidado de ‘Teatro Elizabetano’ por ter a arquitetura inspirada nos teatros ingleses na época de Elizabeth I.

Várias figuras já passaram por lá, entre elas os imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II. O teatro encontra-se em plena atividade e a acústica do recinto é considerada uma das melhores da América latina.


Localizada na Rua Dom Pedro II, o teatro municipal possui entrada gratuita e é aberto diariamente das 8h às 17h, com horário de almoço (11h-12h).

A Rua Dom Pedro II engloba um conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. As edificações que merecem destaque são a Casa Azul, biblioteca municipal, o próprio teatro municipal e o Solar do Padre Jacinto, atual prefeitura.

Depois dos 100 km

A 120 km da capital, Santa Bárbara é a cidade mais próxima do Santuário do Caraça, no Parque Nacional do Caraça, onde se encontra cachoeiras e trilhas e, na parte da noite, é possível ver lobos-guará. O parque tem esse nome devido a silhueta da serra formar um grande rosto de perfil, a “caraça”. 

No próprio parque há uma biblioteca e uma igreja no estilo neogótico, a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Além da transição vegetativa da Mata Atlântica e do Cerrado na Serra do Espinhaço.

Outras atrações da cidade são a Matriz Santo Antônio que tem entalhos folheados a ouro e o Memorial Affonso Penna, ex-presidente brasileiro.

Mariana foi a primeira e única cidade do período colonial com traçado urbanístico projetado
Considerada uma das principais cidades históricas do Brasil, Mariana foi a primeira vila e capital de Minas Gerais. As ruas são ilustradas pelos casarios coloniais, igrejas e artesanatos.  Além de ter sido a cidade mais rica do Ciclo do Ouro, Mariana junto com Ouro Preto representa um dos mais belos conjuntos arquitetônicos representativos do barraco mineiro.


Uma das cidades visitadas pelo arquiteto Eduardo Kenji foi Mariana e lá ele pode viver a história da arquitetura de perto e desenvolver uma percepção e visão própria do estilo barroco e da cidade do século XVIII. “Uma das coisas mais bacanas da viagem foi observar a parte arquitetônica e urbanística. Como eram as construções, a disposição e formato de ruas, como lidavam com a parte sanitária e o pensamento em acessibilidade e mobilidade urbana que ainda não existia. Outro aspecto legal foi ver a tecnologia disponível na época e a qualidade das coisas que fizeram com ela, muitas vezes, superior ao que é construído hoje em dia.”. 

A Corrida do Ouro

Há 45 minutos dali, fica a mais lembrada por todos: Ouro Preto. Primeira cidade brasileira e uma das primeiras do mundo a ser declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Vista de Ouro Preto
Palco da Inconfidência Mineira, a cidade foi construída por artistas e escravos no auge do Ciclo do Ouro. Além das Ruas de paralelepípedo que dão um charme a mais na arquitetura urbana colonial, Ouro Preto é rica no ecossistema com cachoeiras, trilhas e matas nativas. “Visitar Ouro Preto me proporcionou uma felicidade de ser brasileiro, por ter uma riqueza, uma beleza e uma história tão rica que às vezes fica perdida por parte da nossa nação. Acho Minas um estado repleto de riqueza e história.”, afirma o estudante Henrique Brançam.

Por ter uma universidade na cidade, a presença dos jovens é constante e em época de carnaval, as ruas sempre lotam dando o contraste do novo com o velho. Há também festivais como a Mostra de Cinema (junho), o Festival de Inverno (julho), Tudo é Jazz e o Fórum de Letras (ambos em setembro). 

A Praça Tiradentes é o endereço dos museus da Inconfidência e da Ciência e Técnica, que possui um acervo dedicado a mineração. 

Igreja São Francisco de Assis, Ouro Preto
Terra do maior artista do barroco brasileiro, Aleijadinho está presente na Igreja São Francisco de Assis, que é considerada uma das obras primas do escultor e do Mestre Ataíde. Toda trabalhada no estilo rococó, a igreja representa a arte colonial brasileira e já foi considerada uma das sete maravilhas de origem portuguesa do mundo. A igreja fica no Largo da Coimbra, centro, aberta de terça a domingo das 8h30 às 11h45 e 13h30 às 17h.

A Matriz Nossa Senhora do Pilar é exemplo do barroco mineiro, em razão a representação do recurso cênico e a devoção à riqueza – são 400 quilos de ouro no interior da igreja – característica da época. A capela-mor mostra a Virgem rodeada por anjos e querubins, seguindo a imagem para o teto que ilustra o Antigo Testamento no estilo rococó. Localizada na Praça Monsenhor Barbosa, a igreja é aberta de terça a domingo, das 9h às 10h45 e 12h às 16h45.

A Casa dos Contos era uma antiga residência de pesagem e fundição do ouro extraído na região que transformava o minério em barra. O apelido ‘Quinto dos Infernos’ veio devido a casa descontar 1/5 do valor da transformação em imposto.

Cenário de prisão de inconfidentes, hoje é um museu com documentos e livros antigos, o próprio forno e mobílias do século XVIII e XIX. No subsolo fica a antiga senzala, onde se encontra instrumentos que eram usados para castigar os escravos da época.

A Casa dos Contos fica na Rua São José, 12, centro histórico. Outros pontos a serem visitados são a Igreja Nossa Senhora do Carmo, o Museu do Oratório, Igreja Nossa Senhora dos Pretos


Basílica do Senhor Jesus de Matosinhos, Congonhas
Saindo de Ouro Preto, a 63 km dali fica Congonhas, que também é patrimônio cultural da humanidade concedida pela UNESCO.

A Basílica do Senhor Jesus de Matosinhos, além de ser uma das obras primas de Aleijadinho, – são 12 profetas esculpidos em pedra-sabão no adro da Basílica –é um dos maiores tesouros da arte barroca, construído em 1757 e 1790. Localizada na Praça da Basílica, está aberta de terça a domingo das 7h às 18h e a entrada é gratuita, mas se a visita for monitorada o custo chega a R$ 40.

O Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos é uma celebração que ocorre na própria Basílica (7 a 14 de setembro) desde 1760, recebendo mais de 100 mil romeiros todo ano. As missas ocorrem em vários horários, há barracas de comida, artigos religiosos e roupas. 

Mix de cultura

Fundada em 1718, Tiradentes é uma mistura de história, cultura, religiosidade, natureza e gastronomia. Também é conhecida pelos festivais, como o Festival de Cinema (janeiro), carnaval de rua, Semana Santa e o Festival Gastronômico (agosto).

Na fachada da igreja Matriz de Santo Antônio encontra-se esculturas feitas por Aleijadinho e no interior do prédio, destacam-se o ouro e as pinturas em rococó. “a influência da Igreja na disposição dos equipamentos urbanos, na arquitetura e no planejamento da cidade é outro fato importante, que não pode ser deixado de lado”, completa Eduardo. A igreja fica na Rua da Câmara, s/n, Centro Histórico.

São João Del Rei é conhecida como a “terra onde os sinos falam”. A 13 km de Tiradentes, o passeio entre essas duas cidades pode ser feito via Maria Fumaça - com uma duração de 35 minutos e uma vista privilegiada para a Serra de São José. As saídas de São João Del Rei acontecem das 10h às 15h e de Tiradentes das 13h às 17h. Os horários na época de férias é outro. Mais informações no Alô Ferrovias: 0800 285 7000. Localizado na Praça Frei Orlando, 170, Centro.

Tour pela cidade de São João Del Rei


Nossa última parada é a cidade de Brumadinho. Fundada no século XX é a sede do Instituto Inhotim, o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do mundo e em coleção botânica. São mais de 20 galerias com artistas nacionais e internacionais, com esculturas, fotos, vídeos e etc.

O instituto fica na Rua B, 20, Inhotim. A entrada é gratuita nas terças, quartas e quintas são R$ 20 e sextas, domingos e feriados o preço chega a R$ 30. Aberto de terça a sexta das 9h30 às 16h30 e aos sábados, domingos e feriados das 9h30 às 17h30.  Confira o tour virtual

A natureza também é destaque na cidade, o Parque Estadual Serra Rola-Moça é uma das áreas verdes mais importantes do estado – são quase quatro mil hectares.

A quase 20 km de Belo Horizonte, o parque é o terceiro maior em área urbana de Minas Gerais, com trilhas para caminhadas, vistas panorâmicas por causa da topografia do lugar, estrutura para educação ambiental e lazer, quadras esportivas, playground e lanchonete.

Também não deixe de conferir as cachoeiras espalhadas por Brumadinho, como a cachoeira da Ostra, da Usina, das Águas Claras e Toca de Cima

Sempre reforçarmos que a história é importante e conhecer a do próprio país é ainda mais sensacional. Até a próxima quebra do porquinho!



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